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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

VINHOS DO PIEMONTE - LESSONA

LESSONA D.O.C.


É outro tinto do norte do Piemonte, feito a partir da predominante Nebbiolo, com participação maxima de 15% a 20% de Vespolina, uva tinta autóctone da região; seu nome é originário da mesma cidade de Lessona, na província de Biella.
A historia dessa minuscula DOC piemontesa é bastante peculiar, pensem que a inteira produção de Lessona pertence a... uma unica vinícola!
Antes de pensar em algum latifúndio de propriedade de algum aristocrático feudatário, pouco provável nessas latitudes, vamos a examinar algum número referente ao Lessona.

Vinhedos em Lessona - Piemonte
Vinhedo "San Sebastiano allo Zoppo" - Lessona, Piemonte

Superfície de vinhedos inscritos na DOC: 148.824 metros quadrados (ou seja 14,88 hectares)
Produção total declarada de uva: 46,95 toneladas
Produção total efetiva em vinho: 32.859 litros

Pelos dados acima podemos deduzir duas conclusões, a primeira é que se trata de uma DOC realmente minuscula, com menos de 15 hectares, a segunda é que o vinho deve ser de elevada qualidade, pois apresenta um rendimento por hectare especialmente baixo, algo como 3 toneladas por hectare, além de um rendimento uva / vinho na ordem de 70%.

O Lessona é um vinho que precisa ser vinificado e engarrafado dentro da própria região de produção, segundo determina o Disciplinar da DOC, a partir de uvas originarias apenas de vinhedos de encosta; o Lessona DOC deverá passar por um afinamento obrigatório de 12 meses em madeira, seguidos de outros 10 meses em garrafa na cave da vinícola; já o Lessona Riserva DOC precisa afinar ao longo de 46 meses, sendo 30 em madeira.

CARACTERÍSTICAS ORGANOLÉPTICAS

O Lessona deve apresentar cor vermelho granada, com tons alaranjados com o envelhecimento.
No nariz aromas de viola, intenso e limpo.
Sabor seco, tânico,  de boa sapidez e longa persistência.
Teor alcoólico minimo permitido de 12%
Acidez total minima 5,0 g/l
Extrato seco minimo 22,0g/l

O único produtor desse vinho é a TENUTE SELLA, de propriedade da homônima família, que conta com antepassados ilustres, incluindo o Primeiro Ministro Quintino Sella, chefe de governo no fim do seculo XIX, na recém unificada Itália.
Existem documentos de 1671 que certificam a aquisição por parte de Comino Sella de vinhedos em Lessona, a titulo de investimento de lucros obtidos com a atividade industrial têxtil da família.


A Tenute Sella produz 3 tipos de Lessona,

Botte escolhida para o vinho "Omaggio a Quintino Sella"

LESSONA OMAGGIO A QUINTINO SELLA, de Nebbiolo 85%, Vespolina 15%, a pertir do vinhedo "RAVA", videiras com idade média de 50 anos, produzido apenas com o vinho das melhores BOTTI de 25 hectolitros, após afinamento de 36 meses; no dia de 22 de Julho foram engarrafadas 3033 garrafas e 150 magnum da safra 2006, que será disponível no mercado apenas no final de 2012.

Barris de carvalho de 25 hl. "Botte"

LESSONA SAN SEBASTIANO ALLO ZOPPO, de Nebbiolo 85%, Vespolina 15%, a partir de videiras com idade media de 75 anos, vinho afinado 24 meses em botti de 25 hectolitros e 12 meses em barricas de carvalho de Allier (França), apresentando neste caso uma concessão ao modernismo, com a utilização também das barricas.

Tinas de fermentação em madeira

LESSONA DOC, de Nebbiolo 80%, Vespolina 20%, a partir de videiras com idade media de 50 anos, afinado 24 meses em botti de 25 hectolitros. 16.000 garrafas produzidas na safra 2007.

Com certeza é mais um Grande do Piemonte, não em tamanho, mas em tradição e qualidade.

 

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

VINHOS DO PIEMONTE - GATTINARA

GATTINARA


Se trata de um vinho tinto D.O.C.G.considerado no mesmo nível dos grandes vinhos piemonteses como Barolo e Barbaresco.
O Gattinara, cujo nome advém da homônima cidade na província de Vercelli, é também conhecido com o nome popular de Spanna pelos seus apreciadores daquela região do Norte do Piemonte.
A região do Gattinara é relativamente pequena, menos de 95 hectares são autorizados para produção na DOCG.
O Gattinara é produzido a partir de uva Nebbiolo (sub variedade Spanna), por isso tem o direito de ser considerado entre os grandes do Piemonte, em seu caso é permitido o acréscimo de uma pequena parte, não superior a 10% de outras variedades autóctones, como a Vespolina e a Bonarda de Gattinara.


A cor desse vinho é vermelho granada, tende ao laranja com o envelhecimento.

Aroma característico que lembra muito a violeta, sobretudo nos vinhos mais envelhecidos.

Sabor seco, harmônico, com tipico leve amargor no final.

Harmoniza com assados de carne vermelha, grelhados, caça e queijos nobres e maturados a massa dura. Temperatura de serviço de 18 ºC.

O Gattinara DOCG tem que passar por um envelhecimento minimo obrigatório de 3 anos, sendo 1 em madeira, contados a partir do 1º de Dezembro do ano da colheita, com teor alcoólico minimo permitido de 12,5%.
A tipologia Reserva, deverá apresentar um envelhecimento minimo de 4 anos, sendo 2 em madeira e atingir o teor alcoólico minimo de 13%.


O Gattinara tem origem muito antigas, os primeiro documentos que registram sua existência, remontam ao seculo XIII, mas segundo os historiadores a uva começou a ser plantadas ainda pelos Romanos no seculo II Antes de Cristo.
Trata-se de um vinho aristocrático, de nobre origem e tradição. Um grande do Piemonte.