Na noite de ontem aconteceu a degustação guiada de alguns vinhos bastante emblemáticos, a temática da degustação foi as similitudes e as diferenças entre alguns Chardonnay de diferentes regiões produtoras e entre tintos feitos a partir do corte Bordalês.
Começamos com os brancos, foram degustados três vinhos na seguinte ordem:
1. CHABLIS AOC 2010 CHATEAU DE MALIGNY.
Um exemplo clássico do branco francês, o estilo típico dos Chardonnay daquela região foi muito bem representado, pois Jean Durup elabora seus vinhos a partir de 100 hectares de vinhedos próprios, seguindo à risca o estilo tradicional, sem carvalho e bastante mineral.
No exame visual o vinho apareceu amarelo claro com reflexos esverdeados, típico, límpido e sem defeitos.
No nariz as notas cítricas de maçã verde tinham menos força que o esperado, deixando a cena para a fruta a polpa branca, tipo pera e melão, as nuances de flores brancas deixaram o vinho atraente e extremamente delicado no nariz, justamente intenso, com notas minerais de giz marcantes, um aroma típico e muito limpo; Chablis de manual.
Na boca o vinho se apresentou seco, de boa acidez, refrescante, a sapidez muito boa; o terroir de Chablis deixa o vinho muito mineral, o toque salino na boca é realmente algo difícil a ser confundido, verdadeira impressão digital daquela região; um vinho leve, característico, excelente para acompanhar entradas, mariscos, ostras e peixes.
2. CASA VALDUGA GRAN RESERVA CHARDONNAY 2010.
O representante do Brasil, Vale dos Vinhedos, neste páreo mostrou uma cor amarelo ouro, a testemunha de uma fermentação em barrica, seguida de um estagio sobre as borra de seis meses; como era de se esperar mais intensidade de cor e tonalidade mais dourada. Límpido e sem defeitos, pelas lagrimas mais preguiçosas percebeu-se um teor alcoólico um pouco mais elevado.
No nariz um amplo leque de aromas, abacaxi maduro, uma leve casca de limão, além de notas secundárias e terciarias, oriundas das fermentações alcoólica e malo-latica (ambas em madeira nova da França e Romênia), como a banana, o tostado, um leve defumado e sutis toques de chocolate branco completam o rico quadro olfativo deste belo vinho.
Na boca a acidez mantem o Casa Valduga bem vivo embora, pelo tempo de envelhecimento, este Chardonnay se apresente redondo, macio e envolvente, sedoso no paladar, a testemunha da boa evolução pelo qual passou, os aromas de boca, percebidos pela via retro-nasal, confirmam as impressões do nariz; vinho elegante, de excelente persistência gustativa; a meu ver em seu pleno apogeu; um interessante contraponto ao primeiro que nós degustamos.
3. CALYPTRA GRAN RESERVA CHARDONNAY 2007.
Este vinho foi uma agradável surpresa, vindo da região do Alto Cachapoal, no Vale Central chileno, passa por 24 meses de barrica! Um vinho incomum, de cor amarelo quase âmbar, intenso, porém bastante brilhante, a testemunha de um vinho vivo, apesar da idade.
No olfato as notas oxidativas de caramelo e mel aparecem e dominam o nariz; assim que nos acostumamos começamos a perceber as frutas em calda, como o abacaxi, a casca de tangerina e laranja, o amanteigado e o tostado deixados pelo longo estagio em madeira; um leque amplo de aromas se desenvolveram neste Chardonnay, ao longo de seus 5 anos de vida, realmente impressionante.
Na boca a acidez ainda é perceptível, embora a característica do Calyptra não seja esta, a longa maturação o deixaram macio e envolvente. O vinho apresenta um corpo notável, com os traços de oxidação a torná-lo diferente e peculiar, porém muito interessante; a pouca percepção do álcool e a longa persistência completam o quadro. Um Chardonnay que todo degustador deveria provar, empolgante, embora um pouco complexo de ser apreciado, com certeza incomum.
CONCLUSÕES: A degustação atingiu em cheio, em minha opinião, seus objetivos, ou seja apresentar três diferentes interpretações do mesmo varietal, de acordo com o terroir e o estilo de cada região / produtor, de forma a propor diferentes opções de escolha para o enófilo interessado em novas experiencias.
No próximo post falaremos dos tintos e de como a coisa ficou complicada para mim.
Mostrando postagens com marcador chardonnay. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador chardonnay. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 25 de julho de 2012
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Aprenda com o Chef - HARMONIZANDO COM CHARDONNAY DA VIÑA COBOS
No programa de hoje, camarão com Chardonnay de Mendoza, assista no link.
Aprenda com o Chef - Série Faca Você Mesmo 04 - YouTube:
'via Blog this'
Aprenda com o Chef - Série Faca Você Mesmo 04 - YouTube:
'via Blog this'
domingo, 2 de outubro de 2011
A VITICULTURA BIODINÂMICA NO BRASIL
A viticultura Biodinâmica, que conta com ilustres seguidores no mundo todo, chegou também ao Brasil, mais precisamente na Serra Catarinense, no município de Videira.
Quem está desenvolvendo esse projeto é a VINÍCOLA SANTA AUGUSTA, de Talina e Morgana De Nardi, com a consultoria do enólogo Jefferson Sancineto Nunes, excelente profissional que conta entre seus feitos a produção do primeiro Ice Wine do Brasil, além do Moscato Passito, elaborado por conta da própria Vinicola Santa Augusta.
Os vinhedos que estão sendo conduzidos com a pratica biodinâmica estão situados a mais de 1000 msnm, aproximadamente.
A biodinâmica é uma filosofia que prega o tratamento dos vinhedos sem utilização de agro tóxicos, mais ou menos como a viticultura orgânica, a diferença maior está no fato que a biodinâmica se preocupa em executar todas as tarefas ligadas ao vinhedo e, posteriormente, à vinificação, de acordo com o calendário lunar, seguindo portanto as fases da lua que, segundo a filosofia biodinâmica, tem influencia direta no resultado, assim todas as tarefas serão executada em determinado ciclo da lua, pois o fato desta estar crescente, minguante etc. terá influencia direta no resultado do trabalho e, consequentemente, na qualidade do vinho.
A Vinícola Santa Augusta começou esse ano a implantação da visão biodinâmica, os resultados até agora tem sido reconfortantes; a Chardonnay sofreu com um volume elevado de chuvas desde que começou a brotar, mesmo assim não foi verificado nenhum problema fitossanitário e as plantas estão com ótimo aspecto.
A primeira atitude tomada no decorrer desse novo curso, foi a eliminação dos herbicidas, em seguida a capina manual e a roçada entre as fileiras foram praticadas de acordo com o calendário lunar, na fase mais propicia.
Por exemplo em lugar de fungicida foi aplicado chá de cavalinha em varias passagem pelos vinhedos; em seguida houve a adubação com o composto biodinâmico conhecido como PB 500, composto de esterco e chifre, aplicação esta que será repetida este mês, sempre na fase lunar considerada mais propicia, de acordo com o calendário biodinâmico.
A poda, outro trabalho fundamental no vinhedo, foi feita na fase de lua minguante, nos horários prescritos pela biodinâmica para cada varietal.
O enólogo Jefferson Sancineto Nunes conta com três variedades a condução biodinâmica, Chardonnay, Merlot e Cabernet Sauvignon.
Jefferson Sancineto Nunes e um vinhedo biodinâmico da Santa Augusta
Os vinhedos que estão sendo conduzidos com a pratica biodinâmica estão situados a mais de 1000 msnm, aproximadamente.
A biodinâmica é uma filosofia que prega o tratamento dos vinhedos sem utilização de agro tóxicos, mais ou menos como a viticultura orgânica, a diferença maior está no fato que a biodinâmica se preocupa em executar todas as tarefas ligadas ao vinhedo e, posteriormente, à vinificação, de acordo com o calendário lunar, seguindo portanto as fases da lua que, segundo a filosofia biodinâmica, tem influencia direta no resultado, assim todas as tarefas serão executada em determinado ciclo da lua, pois o fato desta estar crescente, minguante etc. terá influencia direta no resultado do trabalho e, consequentemente, na qualidade do vinho.
A Vinícola Santa Augusta começou esse ano a implantação da visão biodinâmica, os resultados até agora tem sido reconfortantes; a Chardonnay sofreu com um volume elevado de chuvas desde que começou a brotar, mesmo assim não foi verificado nenhum problema fitossanitário e as plantas estão com ótimo aspecto.
A primeira atitude tomada no decorrer desse novo curso, foi a eliminação dos herbicidas, em seguida a capina manual e a roçada entre as fileiras foram praticadas de acordo com o calendário lunar, na fase mais propicia.
Por exemplo em lugar de fungicida foi aplicado chá de cavalinha em varias passagem pelos vinhedos; em seguida houve a adubação com o composto biodinâmico conhecido como PB 500, composto de esterco e chifre, aplicação esta que será repetida este mês, sempre na fase lunar considerada mais propicia, de acordo com o calendário biodinâmico.
A poda, outro trabalho fundamental no vinhedo, foi feita na fase de lua minguante, nos horários prescritos pela biodinâmica para cada varietal.
O enólogo Jefferson Sancineto Nunes conta com três variedades a condução biodinâmica, Chardonnay, Merlot e Cabernet Sauvignon.
Assinar:
Postagens (Atom)




