quinta-feira, 5 de abril de 2018
A Origem da Gewurztraminer
A uva Gewurztraminer é uma casta internacional, hoje plantada em vários lugares ao redor do mundo, na Europa e no Novo Mundo, inclusive no Brasil com bons resultados, mas sua origem qual é?
Certamente a Gewurztraminer adquiriu fama e popularidade por meio dos fantásticos vinhos brancos aromáticos produzidos na Alsácia, no norte da França, e na Alemanha, mas isso não nos garante que a origem seja de lá.
O nome Gewurztraminer, claramente de origem alemã, pode nos induzir a acreditar que sua origem seja então germânica.
Vamos porem examinar com calma os indícios de que dispomos, a palavra que designa a uva, como já dito, pertence à língua alemã, esta é a primeira pista porem não conclusiva, considerando que a outra região que reclama a origem da disputada casta, a Alsácia, foi dominada e conquistada, perdida e reconquistada, ao longo dos seculos, pelos alemães.
Tanto é que uma piada recorrente entre os alsacianos de certa idade é aquela que conta que eles, franceses, nasceram de pai alemão e tem os avos franceses, sem que a família jamais tenha saído de seu povoado de origem, situado entre as belas colinas da Alsácia; terra cobiçada e disputada por causa de seu clima mite, de sua culinária saborosa e, naturalmente de seus ótimos vinhos.
Vamos ao segundo indicio ora, a língua alemã é famosa por fazer uso de palavras longas compostas por palavras menores, uma vez analisado o significado de cada uma delas, chega-se ao sentido da palavra composta, tudo claro? Mais ou menso? vamos ao exemplo pratico então.
Gewurztraminer é composta por Gewurz = especiado, aromático, relacionado ao tipo de vinho, muito perfumado que se extrai dessa uva.
Traminer, composta de Tramin + a desinência er, cujo significado é ...algo que pertence ou que é originário de Tramin, sendo este um lugar, ou cidade ou povoado.
Matamos a charada então Gewurztraminer = uva aromatica de Tramin, bingo!
Problema resolvido, então encontra Tramin e terá encontrado a misteriosa origem da casta.
E onde fica Tramin, na Alsácia??? Na Alemanha???
Não senhores, nada disso, Tramin é uma cidadezinha pequena situada no Alto Adige, Nordeste da Itália, traduzida como Termeno, encaixada nos Alpes que marcam a divisa entre Itália e Áustria, as montanhas Dolomitas, onde se produz excelentes brancos, inclusive com a Gewurztraminer que aqui dá resultados fantásticos...aposto que por essa não esperam...
Bom, se pode servir de consolo para os orgulhos gauleses e teutônicos feridos, podemos afirmar que a Itália não pretende reclamar o direito de origem da Gewurztraminer, não precisa disso, também pudera, o país que conta a maior diversidade ampelográfica do mundo conhecido, com mais de 600 castas nativas em produção, 691 para sermos exatos, de acordo com a "Guida ai vitigni d'1Italia" de Slow Food, não deve mesmo dar uma de fominha nesse caso.
sexta-feira, 5 de janeiro de 2018
Vinho em restaurante, qual é o preço justo?
Vinho em restaurante, qual é o preço justo?
Pergunta delicada e fonte de inúmeras polemicas, de um lado os consumidores que sempre acham tudo caro, absurdamente caro, do outro os empresários que bem conhecem as dificuldade de tocar um negocio neste setor, mas que nem por isso precisam descontar tudo no vinho, afinal como vamos avaliar? Como podemos definir um parâmetro que possa nos fazer perceber se o vinho em tal casa é caro ou não?
Vale salientar que o parâmetro de cada um é subjetivo e que a minha é apenas uma opinião pessoal, baseada em mais de vinte anos de experiencia diária no ramo, que seja, mas ainda assim, uma opinião.
Vinho caro? Vinho barato? Eis a questão, consideramos que de forma geral, no Brasil sobretudo, o vinho é associado a celebração e a boa companhia, a maioria das garrafas nos restaurantes são abertas por casais, ou grupo de casais, ou ainda famílias reunidas. O vinho é compartilhado numa proporção ideal para cada pessoa sentada em volta da mesa, por isso para avaliar se o preço do vinho está em linha com os valores de mercado, ou não, sugiro fazer o seguinte calculo.
Consideramos o vinho como um convidado a mais, assim o casal vai escolher um prato cada um, geralmente é o que acontece, e o vinho é bom que represente o investimento equivalente a mais um prato,.
Claro que nessa conta não podemos incluir apenas os pratos mais baratos, as entradas e outros que representam a base da piramide culinária da casa em questão, também não podemos basear nossa avaliação apenas nas grelhadas de lagosta ou pratos similares, mas tratemos de fazer uma média de valor dos pratos oferecidos, aí vamos ver se o restaurante oferece boa escolha de vinho nessa mesma faixa de preço.
É claro que cada um escolhe o vinho que quiser, ou puder, mas o bom senso sugere e a boa gestão do restaurante agradece, que pelo menos uns 40/50% da carta seja surtida de vinhos na faixa de preço igual ao ticket médio da casa, alguns rótulos acima disso para oferecer opções de maior qualidade para clientes ou ocasiões especiais, alguns vinhos de preço mais competitivo para democratizar o consumo e divulgar a cultura, alem de certa variedade de garrafas menores para almoços ou para sede individual.
Para finalizar uma palavra a respeito da cobrança de rolha, acho justo e necessário que esta cobrança aconteça, o serviço do vinho envolve investimento por parte do restaurante, do sommelier que precisa se reciclar continuamente com cursos caros e viajar muito para crescer profissionalmente (eu que o diga ... três viagens a Europa entre Itália, Portugal e França no ultimo ano...), tudo isso que as vezes o cliente não enxerga faz parte do backstage do negocio do vinho, por isso a taxa de rolha precisa ser reconhecida, para que o vinho continue sendo tratado conforme merece.
terça-feira, 21 de novembro de 2017
O Vinho evolui...Voltando às origens
Vamos logo explicar o titulo do post, pois parece um contraditório, acontece que o mundo do vinho, após a descoberta das leveduras, graças a Louis Pasteur, passou por um período de evolução em que as mudanças ocorreram em velocidade elevada, assim como aconteceu com a humanidade, diga-se de passagem.
Os antigos armazenavam e transportavam o vinhos em grandes jarros, as ânforas, que dominaram a cena desde os Fenícios até algumas remotas regiões isoladas da Georgia, passando pelos Gregos, pelo Império Romano, até a chegada dos franceses que, quando ainda eram Gauleses, aprenderam a desenvolver técnicas para dobrar a madeira sem quebrá-la.
Esse fato já foi taxado de revolucionário na época, pois permitiu que, finalmente, o vinho fosse mais pesado que o recipiente que o transportava, possibilitando assim boa economia de força por parte dos carregadores e de frete para os transportadores.
E com as barricas e os barris a humanidade enófila virou-se durante muitos séculos, sem dar excessiva importância ao fato em si, considerando natural que o vinho ficasse na madeira, fosse ela um barril de cinco mil litros ou uma barrique de 225. Isso até a chegada de Robert Parker que decretou que apenas o vinho que mostrasse em seu aroma e sabor, os traços dominantes do carvalho, era digno de mais de 90 pontos, os outros, infelizmente, não levariam a honraria.
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| Botti e Barrique - Gigi Bianco - Barbaresco |
O resto da historia bem sabemos, a chamada parkerização trouxe ar de novidade, com sorte para alguns e lamentos para outros, os flyng - winemaker milionários, a generalização do uso, e abuso, do carvalho, vinho na madeira, ou madeira no vinho, assim surgiram os vinhos com sabor de palito de picolé mordido.
A tendencia agora mudou, Parker está em outra e o vinho deixou de ser tão previsível, por sorte de quem o aprecia. Os produtores diminuíram o uso indiscriminado da madeira, maquilagem poderosa que tudo cobre e disfarça, para produzir vinhos mais frescos onde o sabor da terra de origem aparece com mais nitidez.
Materiais antigamente utilizados que em seguida foram relegados com vergonha no canto mais escondido da adega, como as pileta de cimento, voltaram a aparecer e ser usados por enólogos que nos explicam entusiasticamente a respeito das propriedade do concreto na condução do calor e do vinhos ser mais natural.
Até o conceito extremo do concreto ter formato de um ovo, pois assim o movimento do mosto em fermentação dentro do "ovo" não encontra arestas em seu percurso tumultuoso e as leveduras trabalham mais a vontade deixando o vinho menos estressado; estressado mesmo vai ficar o proprietário da vinícola na hora de pagar pela genial novidade, nem todos possuem a envergadura financeira dum Michel Chapoutier.
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| Ovos de concreto |
Mais a virada radical, o verdadeiro retorno ao passado, aconteceu quando um produtor friulano, Josko Gravner, saiu de sua Gorizia natal e foi pesquisar as Kvervi da Georgia, antigas ânforas ainda em uso no mais profundo dos interiores enológicos do mundo, onde camponeses desacreditados produziam o vinho do mesmo modo que na Grécia antiga, em ânforas enterradas, vinho branco, sem prensagem e com macerações prolongadas. Wow.
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| Ânforas na adega de Gravner em Gorizia |
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| Marco Ferrari e Mateja Gravner |
Isso sim é retornar às origens, Josko Gravner comprou a ideia, e as ânforas, e desencadeou no mundo a mania dos vinhos laranjas, possibilitando assim para todos os enófilos, ou pelos menos para aqueles cuja conta bancária é diretamente proporcional ao amor pelo vinho, a experiencia de tomar, em pleno seculo XXI o vinho do mesmo jeito que Platão ou Aristóteles beberam um dia, quando o mundo era mais novo.
quinta-feira, 21 de setembro de 2017
Voltamos
Caros amigos,
Depois de anos sem frequentar o blog me deu saudade e resolvi fazer um teste para ver qual era a recepção de vocês para o retorno, nos próximos dias, voltaremos aos poucos a escrever alguma novidade sobre o mundo dos vinhos, acompanhe!

Depois de anos sem frequentar o blog me deu saudade e resolvi fazer um teste para ver qual era a recepção de vocês para o retorno, nos próximos dias, voltaremos aos poucos a escrever alguma novidade sobre o mundo dos vinhos, acompanhe!
domingo, 8 de junho de 2014
O que vivo no vinho - Concursos Mundiais "das esquinas" Vs Gosto individual
O
mercado publicitário do vinho é muito competitivo e uma grande ferramenta
utilizada pelos comerciantes do meio são os prêmios. O que o grande público
pouco sabe é que o grande medalhista de ouro de um concurso qualquer, muitas
vezes já falhou nas premiações em muitos outros. Verdadeiros fenômenos de venda
são forjados a partir de um resultado de algum “concurso mundial de alguma esquina”.
Não preciso dizer o quanto isso é perigoso para o mercado do vinho, a
necessidade de uma medalha para a comercialização de um produto em detrimento
ao ensino da qualidade intrínseca do mesmo.
A
quantidade de concursos “mundiais” de vinhos acontecendo ao mesmo tempo em
todas as semanas no mundo confundem e direcionam o consumo, e isso é
prejudicial! Sabem qual o maior segredo para um vinho ganhar muitas medalhas?
Eu digo, participar da maior quantidade de concursos possível. Isso mesmo! Estudos
comprovam que não existe relação direta entre as pontuações de um vinho entre
um concurso e outro. Muitos fatores podem ajudar na conquista de uma medalha
(Assunto a ser abordado em futuro post, prometo).
Figura 1: medalhas de
concursos. Google imagens
Sem
entrar no mérito da metodologia dos concursos, dos avaliadores selecionados,
convidados e até oferecidos (sim,
existem concursos que pessoas se oferecem para ser avaliadores), eu quero
lembrar que a visão de cada pessoa em relação a determinado produto é a coisa
mais individual que podemos ter, é inerente a personalidade. Alguns gostam de
maças, outros de pêras e tem que goste de ameixa (acreditem, eu não gosto).
Basta se questionar: As
pessoas têm o mesmo olhar para uma obra de arte? A beleza de “La Gioconda” é
exaltada por todos? É justa a comparação entre os vinhos como o mercado pede/
induz?
Não
acho e pelo contrário penso que o vinho deve ser visto sempre dentro de um
contexto, é inadmissível a comparação de vinhos como muitas vezes é levado o
consumidor a acreditar. Há tempos notamos o direcionamento do mercado a
formadores de opinião, verdadeiros deuses, a quem o seu gosto chega a
determinar preços, e o pior, modo de produção.
As
notas podem induzir a erro, como um dos maiores da história do vinho (mesmo que nesse caso para o bem do vinho e
já explico o porquê). Quem não lembra da grande prova que revolucionou o
mundo dos vinhos denominada de “Julgamento de Paris”, que foi relatada por
George Taber em seu livro de mesmo nome. Será mesmo que os vinhos dos EUA são
melhores ou pelo menos foram que os franceses? Um vinho 90 pontos é sempre
melhor que um 89?
Figura 2: http://www.georgemtaber.com/Judgment_of_Paris.html
Essa
prova foi responsável por uma grande mudança no mundo dos vinhos que antes só
considerava um grande vinho o originado do país francês e isso foi um ponto
positivo, e precisamos novamente de um “julgamento de Paris”, mas dessa vez que
abra a mentalidade das pessoas a buscarem o seu gosto, e dar menos valor ao dos
outros.
(BUSQUE UM VINHO PRA CHAMAR DE SEU)
Sim,
essa é a ideia principal do post. Todos temos um gosto pessoal e devemos
busca-lo. A leitura sobre as regiões, uvas, técnicas de produção são hoje em dia
muitas formas de perceber qual a característica que determinado vinho tem que pode ser de um direcionamento para a descoberta do seu gosto.
Soma-se a isso as feiras de vinhos que também devem ser aproveitadas para conhecer novos produtos, inclusive os de valor elevado.
Os vinhos podem ter características muito diferentes, desde os mais leves e aromáticos, aos mais complexos, tanto a nível aromático como gustativo. Cabe a cada um de nós buscar o que mais nos agrada e para isso devemos entender um pouco do vinho.
Tem medo de comprar um
determinado vinho e não gostar? Que ótimo motivo para reunir os amigos,
dividirem os custos e conhecerem mais alguns vinhos.
Estamos
no início do consumo de vinhos no Brasil, devemos aceitar isso e buscar mudar essa realidade, e para isso devemos antes de tudo buscar o aprendizado,
o mercado tem que apreciar o vinho, para isso é necessário entender as suas
diferenças.
Vamos
aprender juntos???
Renato Brasil
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
HARMONIZAR QUEIJOS & VINHO #3 Queijos Duros e Azuis
QUEIJOS
DUROS
– Parmigiano Reggiano, o grande
queijo italiano, a denominação de Origem Protegida (DOP), pode ser produzido
unicamente em região delimitada, na Emilia Romagna, no centro da Itália; é o
queijo duro por definição, de longa maturação, produzido em formas cilíndricas
de 35 kg. Ótimo ralado por cima das massas ou servido como entrada é um
clássico, alguns parmigiano podem maturar por até 48 meses, quando adquirem
sabores marcantes a nozes, avelãs e amêndoas. Para acompanhar um queijo tão
nobre, somente vinhos nobres, Amarone, Barolo e Barbaresco são os melhores, na
falta deles, opte por Cabernet Sauvignon ou Merlot de bom corpo e de safras
antigas.
- Manchego, o mais nobre dos
queijos espanhóis, produzido na região de La Mancha, eternizada na memória
universal pelas aventuras do cavaleiro da triste figura, o famoso Don Quixote.
O manchego é um queijo feito a partir do leite de ovelha podendo ser mais ou
menos curado, sua forma é de 3 kg, aproximadamente, de cor barnca, aroma
penetrante, sabor intenso e forte, sua massa é consistente, resistente ao corte
e pode ser ralado. Harmoniza com bons tintos de Rioja, Reserva de preferência e
envelhecidos tintos da Ribera Del Duero.
QUEIJOS
AZUIS
Cave de maturação do queijo de Roquefort - França
– Roquefort, queijo francês que
leva o nome da homônima cidade da região dos Pirineus, no Sul da França, é produzido
a partir do leite de ovelha e maturado nas grutas localizadas nos arredores da
cidade, onde, pela ação do ar e do clima, se desenvolve um tipo de fungo, o Penicillium Roqueforti, que dá ao
Roquefort as características estrias azuladas, hoje este queijo tem seu nome e
sua receita repetidas em vários países, mas nenhum desses genéricos pode
comparar-se, em sabor e nobreza, ao original francês; de características
peculiares, aroma intenso, sabor forte e salgado pede um acompanhamento
atípico, como um branco de sobremesa, doce e intenso, Sauternes ou outros
botritizados são a melhor pedida.
- Gorgonzola, da homônima
cidade localizada no Piemonte, perto de Novara, apresenta as veias azuis
parecidas às do Roquefort, porem o Gorgonzola, a diferença do francês, é feito
a partir do leite bovino. Se produzem dois tipos de Gorgonzola, o Dolce, macio, frutado de sabor suave e o
Piccante, aroma intenso e penetrante,
sabor forte, salgado e picante; com o primeiro aconselhamos um tinto bem leve,
tipo Valpolicella, Barbera jovem ou Dolcetto, com o tipo Piccante, um vinho
licoroso como Porto (Ruby, LBV ou Vintage), Marsala ou Recioto.
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
HARMONIZAR QUEIJOS & VINHO #2 Queijos Macios e Semiduros
QUEIJOS
MACIOS
– Brie, importante queijo
Frances, denominado “Rei dos Queijos”, o Brie tem origem antiquíssima, na
região de Ile de France, próximo de Paris, é um queijo de leite de vaca que
apresenta a característica casca branca, originada por um fungo, o Penicillium Camemberti que influi na maturação
do Brie; cremoso, mole e bastante untuoso quando jovem, seu sabor se torna mais
forte a medida que avança na maturação, até adquirir um característico cheiro
amoniacal, atenção, não significa que esteja estragado, pelo contrario, existem
muitos apreciadores que preferem comer o Brie mais apurado que ele fresco;
harmonização ideal é um bom Chardonnay encorpado, tipo Borgonha, ou um vinho
tinto leve a base Merlot ou Shiraz.
QUEIJOS
SEMIDUROS
– Emmental, queijo de origem
suíça hoje produzido no mundo todo, de massa semidura, ou seja, de boa
consistência ao corte, porém não suficiente para ralar, apresenta os
característicos buracos, que surgem durante a maturação e são provocado pelo
dióxido de carbono que se desprende ao longo do processo, é um queijo muito
apreciado, versátil e saboroso que vai bem quando acompanhado por um vinho
tinto de bom corpo, como um bom Carmenere chileno, um Bordeaux ou um Alentejano
com estagio em barrica.
- Gruyere, originário da
homônima cidade na Suiça, o Gruyere é copiado em vários países do mundo,
inclusive no Brasil, embora os exemplares nacionais em muto diferem do
original, o qual apresenta sabor mais forte que o do Emmental, inicialmente
frutado e agradável, evolui para um intenso sabor a nozes e frutas secas, pede
um Pinot Noir, se agiganta com um grande Borgonha tinto
- Gouda, queijo de origem
holandesa, leva o nome da cidade onde foi produzido em origem, de leite bovino,
é hoje reproduzido em varias partes do mundo, inclusive no Brasil, existem
exemplares de Gouda mais ou menos curados, que apresentam sabor mais ou menos
forte, aconselha-se um tinto a base Merlot, Cabernet Franc ou um Montepulciano
d’Abruzzo para acompanhar.
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
HARMONIZAR QUEIJOS & VINHO #1 Queijos Frescos e Cremosos
QUEIJOS
& VINHOS
QUEIJOS
FRESCOS
– Queijo de cabra, excelência
da culinária francesa, os queijos de cabras são amplamente produzidos também no
Brasil, quando frescos apresentam uma característica
picância e certa agradável acidez, isso nos impele a harmonizá-los com vinho
branco aromático de boa acidez, aconselho sobretudo o Sauvignon Blanc; quando o
queijo de cabra tem maturação mais longa, o sabor se acentua e a acidez
diminui, neste caso podem harmonizar com tintos leves e frutados, como certos Pinot
Noir chilenos, Gamay e Malbec leves e sem passagem por madeira.
QUEIJOS
CREMOSOS
– Requeijão, este queijo muito
comum no Brasil, ingrediente principal em muitas receitas de nossa gastronomia
popular é muito bem acompanhado por vinho tinto muito leve, como o Gamay, ou um
bom Merlot leve, sem passagem por madeira, pois o sal do queijo faz um péssimo
par com o tanino dos tintos mais encorpados (aqueles que tem passagem por
barrica de carvalho, no caso).
- Serra da Estrela, o grande
queijo português, de leite de ovelha, o Serra da Estrela é produzido desde o
seculo XII, é o mais antigo daquele país e dos mais famosos do mundo, um queijo
que os portugueses costumam comer com a colher, após ter retirado a casca
superior, é um laticínio nobre que só pode ser produzido pelas ovelhas de raça
especifica nativa, criadas na homônima Serra, no centro de Portugal, harmoniza
maravilhosamente bem com vinho verde a base Alvarinho ou, porque não, um Porto
Tawny de boa qualidade.
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Mais sobre a Screw - cap
Vinho com tampa de rosca.
Quem tem medo dele?
É comum que a tampa de rosca nas garrafas de vinho, em lugar da tradicional rolha, renda desconfiança dos consumidores de vinho. Mas isso pode ser apenas uma questão de preconceito.
Quem tem medo dele?
É comum que a tampa de rosca nas garrafas de vinho, em lugar da tradicional rolha, renda desconfiança dos consumidores de vinho. Mas isso pode ser apenas uma questão de preconceito.
A tampa de rosca, screw-cap, foi concebida na década de 1960 pelos vinicultores australianos, no mesmo tempo em que seus colegas da Califórnia também desenvolviam pesquisas acerca de tampas alternativas para o vinho, no intuito de fugir da dependência da importação de rolhas, matéria-prima, quase que de monopólio, de Portugal.
As primeiras tímidas aparições de
garrafas fechadas com tampa de rosca aconteceram na Austrália na década de
1970. Obviamente os países produtores da Europa zombaram da novidade, sobretudo
os portugueses (tente encontrar uma garrafa de vinho português, barata que
seja, que utilize uma screw-cap, mesmo hoje), ao passo que países menos
tradicionalistas em vinho, como os do Norte da Europa, USA e Canadá, além do
Reino Unido, encontraram na tampa de rosca uma grande vantagem: qualquer um
poderia comprar uma garrafa de vinho num supermercado, e consumi-la a qualquer
hora e em qualquer lugar, tendo o não um saca-rolha por perto.
Mas, afinal, qual a relação entre a tampa de rosca e o vinho da garrafa? É o seguinte: a tampa de rosca não permite a passagem de oxigênio para o vinho contido na garrafa. Isso limita a evolução do vinho ao longo do tempo. O vinho não “envelhece”, nem “melhora” com o passar dos anos.
Ou seja, para os vinhos jovens – produzidos para serem abertos e consumidos
nos 2-3 anos sucessivos à colheita – a screw-cap é uma solução, sim, muito boa
e, em nada, deprecia o valor do vinho.
Prova disso está nos 99% dos
excelentes, e caros, Pinot Noir da Nova Zelândia, que utilizam tampa de rosca.
E ainda: um grande Chateau francês, daqueles cujos vinhos custam centenas de
dólares, vem fazendo testes com a tampa de rosca para fechar algumas garrafas
de seu top wine. A ideia é verificar a evolução da qualidade ao longo dos anos.
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
DEGUSTAÇÃO ÀS CEGAS
Quando alguém se aproxima do vinho uma serie de duvidas e de
perguntas surgem quase que de imediato, contribuindo a cercar de mistério e
fascínio esta bebida milenar; ora, isso não é sempre bom, não representando
propriamente um beneficio, no mais, serve para acanhar e, as vezes, desestimular
a aproximação dos mais tímidos.
Uma duvida que, tenho certeza, surge com certa frequência
diz respeito às degustações as cegas: para que servem? O degustador fica por
acaso, vendado? Tem que adivinhar a marca do vinho?
Vamos então explicar, para desmistificar, e desmitificar. A
degustação às cegas é um processo de avaliação onde se verificam as qualidades
intrínsecas do vinho e, a partir do resultado da avaliação, atribui-se um juízo
(pontuação ou medalha, geralmente) acerca de sua qualidade/tipicidade, visando
a tutela da imagem de um produto/região perante o consumidor.
Em poucas palavras, um painel de juízes (de conhecimento
comprovado e documentado) é convocado para avaliar uma serie de amostras de
vinho, das quais ignoram marca, preço e produtor, estando assim livres de
influencias e/ou pressões externas . Os vinhos são servidos, “às cegas”, ou
seja, em garrafas cobertas com algum material que as torne absolutamente
anônimas, divididos por categorias, tal que os Cabernet Sauvignon sejam
avaliados apenas com outros Cabernet Sauvignon , os Merlot entre si e assim por
diante.
Os juízes preenchem uma ficha de avaliação onde são
analisados vários aspectos destas amostras, a partir de uma verificação visual,
olfativa e gustativas atribuindo pontuações que, geralmente variam de 0 a 100.
Os melhores vinhos são aqueles cuja pontuação fica acima de 82/100, os
excepcionais acima de 90/100.
Já dissemos que a função da degustação as cegas é avaliar o
vinho, mas porque é necessário submetê-lo a tal prova? Nas regiões a
Denominação de Origem Controlada, um dos requisitos obrigatórios para que
determinado vinho possa ostentar o nome da DOC no rotulo, passa justamente
através de uma avaliação as cegas onde é verificada sua tipicidade, que deverá
estar alinhada com as características daquela região especifica.
Outra situação em que o vinho é submetido à avaliação as
cegas é quando, nas premiações que ocorrem no âmbito dos concursos
internacionais, são eleitos os melhores rótulos; lembrando que um bom
desempenho em algum desses concursos pode fazer a fortuna (ou a ruína) de um
produtor.
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
CONCURSO VINHO FEST FORTALEZA 2013
VINHOS PREMIADOS NA VINHO FEST FORTALEZA 2013
BEST –
BUYS:
BRASIL
CASA VALDUGA RAIZES CABERNET SAUVIGNON 2010
Grupo Família Valduga – Campanha Gaucha - RS
PIZZATO RESERVA MERLOT 2010
Vinicola Pizzato – Vale dos Vinhedos - RS
DADIVAS PINOT NOIR 2012
Lidio
Carraro – Serra do Sudeste – RS
ESPUMANTE CASA VALDUGA RESERVA BRUT 25 MESES 2010
Grupo Familia Valduga – Vale dos Vinhedos – RS
ARGENTINA
TOMERO MALBEC 2012
Bodega Vistalba – Vale de Uco – Importadora Domno do Brasil
AFRICA DO
SUL
ROBERTSON CHARDONNAY 2010
Robertson
Winery – Robertson Valley – Importadora Vinci
MEDALHAS DE
BRONZE
BRASIL
ESPUMANTE CASA VALDUGA 130 BRUT (não safrado)
Grupo
Família Valduga – Vale dso Vinhedos – RS
ARGENTINA
KAIKEN ULTRA MALBEC 2009
Bodegas Kaiken (Grupo Viña Montes) – Vale de Uco – Importadora Vinci
Bodegas Kaiken (Grupo Viña Montes) – Vale de Uco – Importadora Vinci
TILIA MERLOT 2011
Bodega Esmeralda (Grupo Catena Zapata) – Mendoza – Importadora Vinci
Bodega Esmeralda (Grupo Catena Zapata) – Mendoza – Importadora Vinci
CHILE
ERASMO (Categoria Cabernet Sauvignon) 2007
Viña Reserva de Caliboro – Vale do Maule – Importadora Franco Suissa
TARAPACÁ GRAN RESERVA CHARDONNAY 2011
Viña
San Pedro / Tarapacá – Vale de Leyda – Importadora Licínio Dias
FRANÇA
BOURGOGNE
PINOT NOIR 2010
André
Goichot – Cote d’Or (Beaune) – Importadora World Wine
MEDALHAS DE
PRATA
ARGENTINA
DV CATENA MALBEC MALBEC 2009
Bodega Catena Zapata – Mendoza – Importadora Mistral
Bodega Catena Zapata – Mendoza – Importadora Mistral
CHILE
ERRAZURIZ MAX RESERVA CABERNET SAUVIGNON 2009
Viña Errazuriz – Aconcagua – Importadora Vinci
Viña Errazuriz – Aconcagua – Importadora Vinci
CASA LAPOSTOLLE CUVÉE ALEXANDER MERLOT 2011
Casa Lapostolle – Vinhedo Apalta / Colchagua – Importadora Mistral
Casa Lapostolle – Vinhedo Apalta / Colchagua – Importadora Mistral
TALINAY PINOT NOIR 2010
Viña Tabali – Vale do Limari – Importadora Carballo Faro e World Wine
Viña Tabali – Vale do Limari – Importadora Carballo Faro e World Wine
PORTUGAL
QUINTA DE CIDRÓ CHARDONNAY 2011
Real Companhia Velha – Douro – Importadora Barrinhas
Real Companhia Velha – Douro – Importadora Barrinhas
FRANÇA
CHAMPAGNE VEUVE CLICQUOT PONSARDIN BRUT (não safrado)
LVMH – Champagne – Importadora Moet Hennesy
LVMH – Champagne – Importadora Moet Hennesy
MEDALHAS DE
OURO
BRASIL
PIZZATO DNA 99 MERLOT 2008
Vinícola Pizzato – Vale dos Vinhedos - RS
Vinícola Pizzato – Vale dos Vinhedos - RS
ESPUMANTE MARIA VALDUGA BRUT 2006
Grupo Família Valduga – Vale dos Vinhedos - RS
Grupo Família Valduga – Vale dos Vinhedos - RS
ARGENTINA
ALTOS LAS HORMIGAS RESERVA MALBEC 2007
Bodega Altos Las Hormigas – Vale de Uco – Imporrtadora World Wine
Bodega Altos Las Hormigas – Vale de Uco – Imporrtadora World Wine
DV CATENA CABERNET CABERNET 2009
Bodega Catena Zapata – Vale de Uco – Importadora Mistral
Bodega Catena Zapata – Vale de Uco – Importadora Mistral
ANGELICA ZAPATA CHARDONNAY 2010
Bodega Catena Zapata – Vale de Uco – Importadora Mistral
LUCA PINOT NOIR 2009Bodega Catena Zapata – Vale de Uco – Importadora Mistral
Laura Catena – Vale de Uco – Importadora Vinci
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
VINHO FEST FORTALEZA 2013 – PRODUTORES
ARGENTINA
BODEGA VISTALBA by CARLOS PULENTA.
O nome da família Pulenta
é ligado ao vinho mendocino há muitas gerações, já proprietários da Peñaflor,
que venderam para adquirir a Bodega Trapiche vendida por sua vez no final da
década de ’90 após seus vinhos terem alcançado o estrelado internacional.
Carlos Pulenta se firmou no excelente vinhedo Vistalba, numa antiga propriedade
da família, onde começou a trabalhar seguindo sua filosofia, perseguir um
estilo de vinhos modernos, com personalidade e tipicidade marcante, a partir
das uvas que melhor se adaptam àquele espetacular terroir que é Vistalba.
Hoje
Carlos Pulenta produz três cortes de Malbec, Cabernet Sauvignon e um pouco de
Bonarda, em proporção variável, dependendo da safra, a exemplo dos grandes
assemblages de Bordeaux.
O Corte C é o vinho de entrada, com maturação parcial
em barricas francesas, o Corte B é já considerado um Top Wine, enquanto o Corte
A é o ícone da Bodega Vistalba e arremata notas altíssimas na crítica internacional.
Paralelamente a estes vinhos a Bodega Vistalba produz a linha Tomero, varietais
de excelente qualidade e boa relação qualidade x preço, a partir de uvas
procedentes dos vinhedos de altitude do Vale de Uco, o enófilo de Fortaleza
poderá apreciar estas preciosidades durante a Vinho Fest Fortaleza.
VINHO FEST FORTALEZA 2013 – PRODUTORES
ARGENTINA
ALTOS LAS HORMIGAS.
Quando, na década de ’90 os italianos
Alberto Antonini e Antonio Morescalchi, se encantaram com o terroir de Mendoza
e resolveram investir em vinhedos, descobriram que a terra que tinham escolhido
tinha um proprietário mais antigo e feroz, as formigas negras de Mendoza,
verdadeiras donas daquele vinhedo, em homenagem a elas a bodega que acabava de
nascer seria batizada de Altos Las Hormigas.
Após tantos anos e muitos sucesso o empreendimento cresceu e
o Malbec ali produzido alcançou uma qualidade impressionante, isto não é de se
admirar quando se conhece um pouco a história destes homens e a verdadeira
devoção que eles dedicam à terra e ao conceito de terroir, como Antonio
explicou em recente viagem a Fortaleza neste ano, para produzir grandes vinhos
é preciso “escutar” a uva, respeitando-a e alcançando assim o seu potencial maior.
Além de grandes malbec, com destaque para o Reserva Vale de Uco, Altos las
Hormigas engarrafa também um frutado e cativante varietal de Bonarda, vinho
mais leve, jovem e de fácil consumo que, tenho certeza, conquistará muitos
admiradores na Vinho Fest Fortaleza deste ano.
VINHO FEST FORTALEZA 2013 – PRODUTORES
ARGENTINA
KAIKEN.
O nome desse ganso selvagem que cruza a Cordilheira
dos Andes entre a Patagônia Argentina e o Chile inspirou o afamado enólogo
chileno Aurélio Montes a batizar seu projeto na Argentina; projeto
relativamente jovem, começou com dois varietais, Cabernet Sauvignon e Malbec,
engarrafados na linha Reserva e Ultra (estes últimos Top Wine de alcance
internacional) e conta hoje com uma gama bem mais ampla que estará em
degustação na Vinho Fest, em tempo, raramente Kaiken fatura notas abaixo de 90
pontos em seus vinhos da linha Ultra; uma ultima curiosidade, parece que no
caso de Kaiken o lado chileno fala alto, tanto que seu Cabernet Sauvignon é,
frequentemente, considerado melhor que o Malbec, vale a pena conferir.
VINHO FEST FORTALEZA 2013 – PRODUTORES
ARGENTINA
LAURA CATENA.
A filha do mítico Nicolas é hoje a alma e a
organização da Bodega de família, além de atuar como diretora da Catena Zapata,
Laura encontrou tempo para tocar alguns projetos pessoais de grande relevo: a
linha de Top Wine Luca, que leva o nome do filho da enóloga, os vinhos La
Posta, produzidos a partir de uvas de pequenos produtores cujos
vinhedos estão localizados em regiões privilegiadas e que, sem a participação
de Laura, não teriam como engarrafar suas preciosidades, sem esquecer do
projeto Tilia, excelentes vinhos de relação custo – benefício cativante,
estarão à disposição do enófilo que se dispuser a participar da Vinho Fest
Fortaleza.
VINHO FEST FORTALEZA 2013 – PRODUTORES
CATENA ZAPATA.
Talvez o mais celebrado produtor da
Argentina, pelo menos desde que este pais tornou – se referência mundial de
vinhos de qualidade, após a consagração do Malbec como o varietal ícone do país
platino.
Nicolas Catena Zapata já foi eleito produtor do ano por nada
menos que a revista americana Wine Spectator enquanto a britânica Decanter e
outras tantas publicações de peso mundial outorgaram – lhe honrarias
semelhantes.
O grande mérito de Nicolas foi de acreditar que o vinho
argentino podia sair de uma dimensão domestica de consumo, pautada numa produção
de quantidade a baixo preço, e alcançar um patamar internacional; o caminho
para isso Nicolas o encontrou nos vinhedos de altitude e na influência desta na
qualidade da uva e, por conseguinte, dos vinhos, suas criações são hoje ícones argentinos
e mundiais e estarão em degustação na Vinho Fest Fortaleza; nomes como Angelica
Zapata, DV Catena e outros mais poderão ser degustados pelos participantes.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
O CHIANTI CLASSICO
O Chianti é sem duvida o vinho mais conhecido da Toscana, de
renome mundial, seus vinhedos abrangem uma área muito vasta que cobre as
colinas desta região no centro da Itália; do Chianti temos registros históricos
que remontam ao ano de 1398, quando um tabelião da Idade Média se referia ao
vinho produzido entre as Cidades de Firenze e Siena com o nome que no futuro
designará o vinho talvez mais famoso da Itália.
De tanto famoso e procurado o Chianti se tornou sinônimo de
venda certa no mercado interno e externo, tanto que, num passado recente,
notadamente ao longo do século XX, graças à benevolência de alguns e a ganância
de outros, sua área de produção aumentou muito alem das colinas originarias, incluindo
áreas que originariamente não eram voltadas para viticultura e dando origem a
um considerável crescimento de vinhos ostentando a cobiçada denominação no
rotulo, situação que obviamente satisfez a demanda comercial, mas que não
rendeu muita justiça à qualidade do vinho.
Para evitar uma derrocada geral na qualidade e uma confusão generalizada
no comercio, os mais influentes produtores da região correspondente à antiga e
histórica área de plantio, reconhecida oficialmente desde 1932, passaram a adotar
o nome de Chianti Clássico, para designar os vinhos produzidos nas
colinas tradicionais das províncias de Siena e Firenze; uma região de extensão
bem menor quando comparada à área plantada do Chianti comum, mas certamente a
alta vocação vitivinicola, responsável por uma qualidade superior dos solos e
das uvas.
Chamado a zelar pela tipicidade do Chianti Clássico e para
promover suas qualidades mundo afora, o Consórcio do Chianti Clássico, cujo
símbolo é o já citado Galo Preto, desenvolve varias atividades promocionais,
cursos e merchandising, a partir de sua sede histórica, um convento medieval
que se debruça sobre as colinas sulcadas pelos vinhedos e pinceladas pelo verde
claro das oliveiras, na cidade de Radda in Chianti.
Hoje o Chianti Clássico é um vinho a Denominação de Origem
Controlada e Garantida (DOCG) produzido a partir da uva emblemática da Toscana,
a Sangiovese,
em sua composição são admitidos outros varietais tintos incluindo os internacionais,
como Cabernet
Sauvignon e Cabernet Franc, na proporção máxima de 20%; muitos produtores,
no entanto, preferem trabalhar com a Sangiovese em pureza.
O Chianti Clássico pode ser comercializado somente a partir
do dia 1º de Outubro do ano subseqüente ao da colheita, aquele com a menção “Reserva”
deverá ser submetido a um envelhecimento mínimo de 24 meses, três dos quais em
garrafeira; o disciplinar não faz restrições referente ao tipo de recipiente
para o envelhecimento, cabe ao produtor determinar o estilo de seu vinho
escolhendo entre o tanque de aço inox, a pileta de cimento, o barril grande, a barrica
ou o tonneaux francês de 500 litros. Todas as operações de vinificação e
envelhecimento do Chianti Clássico devem acontecer obrigatoriamente dentro da
região de produção.
O Chianti Clássico é um vinho de corpo médio, macio e com uma
boa veia acida que favorece a harmonização com a gastronomia da região, como
uma excelente bisteca “Fiorentina”, um corte bovino que
corresponde ao contrafilé alto com osso, algo que lembra o T-Bone Steak, uma
delicia, sobretudo quando retirado a partir de uma raça de gado local, a “Chianina”,
originaria do Vale de Chiana.
Já o Reserva é opulento, mais encorpado, por vezes tânico,
com uma estrutura mais importante, não tem nenhum problema em envelhecer,
embora não seja esta sua característica principal.
Definitivamente existe uma substancial diferença organoléptica
entre o Chianti Clássico comum e a versão reserva, dois vinhos fantásticos, mas
que compartilham do mesmo problema, um preço bastante elevado, tanto nas lojas
especializada da região, como nas próprias vinícolas as quais, com o
eno-turismo em alta no mundo todo, recebem muitas visitas de enófilos e
compradores. A elevada procura faz com que a lógica do negocio seja revertida,
se normalmente comprar o vinho diretamente na vinícola significa poupar alguns
Euro, neste caso isso não acontece. Eu mesmo cheguei a pagar excelentes
garrafas de Galo Nero, nas lojas especializadas de Milão ou Roma, a preços menores
que os que me pediam na loja do produtor, dentro da vinícola,
Como já tive modo de afirmar, os Florentinos sempre foram
hábeis comerciantes, os Seneses com certeza aprimoraram esta arte também, a
Toscana e o Chianti “vendem” bem, os comerciantes e produtores locais
demonstraram saber aproveitar da beleza desta, literalmente, maravilhosa região
e eu nada tenho contra a exploração destas realidades, mas todo mundo precisa
atentar para não exagerar esse aspecto, afinal Chianti Classico, mesmo quando
reserva, não é Brunello di Montalcino, nem Nobile di Montepulciano, as
diferenças de qualidade existem e separam estes vinhos mais do que a diferença
de preço.
Radda in Chianti - Chianti Classico
Broto de Sangiovese no tradicional cordão esporoado toscano
A Toscana - videiras e oliveiras.
sábado, 22 de junho de 2013
TOSCANA ... A LENDA DO GALO NERO
... Firenze e Siena, eis ai duas cidades que, em plena Idade
Média, disputaram ferozmente entre si o domínio daquela parte de Toscana que
surge ao redor da Via Francigena e
que hoje corresponde ao território administrativo de suas províncias, onde se
produzem os vinhos clássicos da Toscana, aqueles da tradição mais antiga e com
muitas historias para contar, vinhos como o Chianti
Classico, o Brunello di Montalcino
e o Vino Nobile di Montepulciano.
Reza a mais famosa destas historias que, cansados de décadas de
guerra, com as finanças em frangalhos de tanto pagar exércitos mercenários para
lutar em seu nome, os senhores das duas cidades se encontraram e bolaram uma
maneira menos cruenta de resolver a questão, ficou combinado que, em
determinado dia, ao primeiro cantar do galo, dois cavaleiros, um de Firenze e o
outro de Siena, sairiam de suas respectivas cidades e percorreriam a estrada
que as unia; no ponto em que os dois se encontrassem seria estabelecida a
divisa entre os dois territórios.
Os Seneses escolheram para cantar na alvorada marcada, um
galo branco e o trataram como nenhum exemplar desta raça de aves jamais tinha
sido tratado até então, ração variada, galinhas, sombra e água fresca em
abundancia, para mostrar para ave a importância que a inteira cidade confiava
em seu trabalho canoro.
Já os florentinos, raça de banqueiros sem escrúpulos e ávidos
comerciantes, escolheram um galo preto e o trataram como ninguém jamais mereceu
ser tratado, trancafiaram o infeliz galináceo numa gruta sombria e escura, sem
água nem comida por vários dias, quase a demonstrar qual futuro teria caso não desempenhasse
a contento suas funções no amanhecer fatídico.
Inútil dizer que no dia marcado o galo branco, acostumado às
mordomias e ressacas após as noitadas com as galinhas, gentilmente postas a
disposição pela administração municipal, após lento espreguiçar matinal,
ensaiou um canto já em hora um tanto avançada.
Ao passo que seu colega preto lá em Firenze, que mal podia
esperar pelo dia da libertação de seu castigo, assim que o sol ameaçou aparecer
já estava berrando a plenos pulmões, tanta a fome e a sede que o infeliz tinha
sofrido nos últimos dias.
Pode se imaginar o espanto do cavaleiro chamado a defender as
cores de Siena que mal tinha cavalgado estrada adentro, quando esbarrou no
florentino, a pouca distancia das muras de Siena, com tamanha distancia já
percorrida graças ao desempenho canoro do galo preto.
Por certo sabemos que já na Idade Media a sabedoria popular
sugeria que acordos são bons, mas o melhor mesmo é se garantir, logo a cidade
de Firenze organizou uma tropa de soldados mercenários com a única incumbência
de vigiar as novas fronteiras, cujo símbolo era justamente um galo preto.
Esta milícia passou a se chamar “Lega Del Chianti” e atuou em patrulhamento das fronteiras entre as
duas cidades durante vários séculos, seu histórico brasão foi revitalizado em
épocas recentes pelo “Consórcio de tutela
do Chianti Clássico”, órgão fiscalizador e promotor dos melhores vinhos
desta região histórica. Hoje aproximadamente 98% dos produtores de Chianti Clássico
adotam o galo preto no gargalo de suas garrafas.
Firenze - A Basílica
Firenze - Ponte sobre o Arno e vista da Margem Direita
Firenze - Piazza della Signoria - Palazzo Vecchio
Siena - Vista da cidade e da Catedral
Siena - Torre del Mangia e vista da Cidade
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