quinta-feira, 23 de junho de 2011

BORDEAUX, CAHORS, MALBEC e ... BARRIQUE PERPETUELLE

Ontem a noite assisti a interessante palestra sobre vinho francês, a organização ficou por conta do pessoal da importadora COMPAGNIE VINS DE FRANCE, de Curitiba, e seu representante na cidade, o evento foi na LIVRARIA CULTURA.
O palestrante, MANUEL BRANDÃO, de português só tem o nome, pois trata-se de um francês de BORDEAUX, extremamente competente no que diz respeito aos vinhos de sua terra natal.
Afirmo isso porque, ao longo de pouco mais de uma hora de palestra, conseguiu dar uma ideia para o publico da complexidade das denominações de origem e classificações de Bordeaux, da historia secular daquela região, sem esquecer de atualizar a plateia sobre outra região, igualmente fascinante, a região de CAHORS que, tenho certeza, poucos enófilos ouviram falar, até hoje.

foto acima: Região de Cahors e Sud-Oeste da França

Bordeaux é uma região produtora de vinho desde ha muitos seculos, e Cahors, ao que parece, ainda é mais antiga, com registros que falam do ano de 92 d.c.!!
Agora uma curiosidade, a origem do nome MALBECCOT em francês, ou AUXERROIS (por conta do apreço que os cidadãos da cidade de Auxerre tinham pelo vinho produzido com esse varietal) remonta ao tempo das caravelas, quando Bordeaux era o porto de onde se exportava o vinho mundo afora. Parece que alguns sommeliers de lá (nada bairristas, obviamente) não apreciavam muito o vinho que vinha da região de Cahors, dai a expressão deles, toda vez que degustavam esses vinhos, era a careta parecida com um "bico feio", Mal-Bec, justamente.
Ao longo da explanação tivemos modo de aprender algumas noções sobre as mais de sessenta classificações de origem dos vinhos de Bordeaux, sua origem, terroir e geografia.

foto acima: Bordeaux e suas denominações.

O conceito mais revelador da palestra, a meu ver, foi sobre a BARRIQUE PERPETUELLE, costume antigo da região de Cahors, tradicional das famílias viticultoras francesa; na pratica uma reserva especial de vinho era guardada em uma barrica de mais de seiscentos litros, onde todo ano parte do conteúdo era engarrafado e o nível da barrica era preenchido com vinho da ultima safra, lembrando um pouco o sistema SOLERA da região de JEREZ DE LA FRONTEIRA, na Espanha.
Este processo era refeito todos os anos durante décadas, daí a expressão "perpetuo"; podemos então imaginar a riqueza sensorial de um vinho produzido nesse molde, amaciado pelos anos de maturação e de grande bouquet.
Ao fim da palestra tivemos modo de degustar um vinho de Barrique Perpetuelle, num blend de 3 safras, 2002, 2004 e 2005, 100% Malbec; achei interessante e muito diferente dos Malbec argentinos nossos de cada dia, vale a pena provar e descobrir as diferenças, com certeza uma experiencia enriquecedora.

Nenhum comentário:

Postar um comentário